30 de novembro de 2006

FUJA-SE DA LEITURA

Por andar distraído só agora reparei que o único programa sobre livros da televisão pública foi banido da antena. Sim, existe um outro que também fala e recomenda livros, sem que esse seja o seu objecto.
Sinto flexInseguro num país em que NUNCA um escritor é convidado para telejornais nos canais generalistas (o cabo, felizmente, vai abrindo excepções), e o lançamento de um livro de ficção NUNCA é notícia. Quanto muito será o fait-divers à volta do lançamento.
Não posso crer que não exista em Portugal nenhum Bernard Pivot. Alguém que reúna o dom da palavra, algum conhecimento literário e uma forte assessoria por detrás.
E já que só ouço falar nos valores (inflaccionados) necessários para se fazer seja o que for, pergunto quanto custam uma mesa, 4 cadeiras, um pano de croma atrás e o uso de técnicos e equipamento que de qualquer maneira já será pago?
Assim nunca mais...
EXCERTOS RIO DA GLORIA 1




Pedi ao actor Carlos Gomes que lesse um excerto do romance que mete livros em avançado estado de degradação, freiras e tentativas amadoras de acabar com a fome dos bichos da prata...

29 de novembro de 2006

SOME E SEGUE
Todos os dias se aprende. Mesmo a contragosto. O quotidiano como um banco da escola onde todos os dias tem de se estudar matemática e física, mesmo se gostaríamos de nos ficar pela leitura e interpretação de texto.
E nunca se pode faltar. Nem ficar doente.
E desconfio que as férias também se acabaram de vez...

27 de novembro de 2006

O 31 DE ALCÂNTARA

Nesta edilção do jornal Expresso, Luisa Schimdt alerta para a situação da construção do empreendimento vendido como Alcântara XXI. Mais uma ponta do icebergue da pavorosa governação lisboeta de Clown-Lopes e Carmona Rodrigues. A coisa não só tem atrapalhado o trânsito como estará edificada sobre um leito de cheia, uma zona de aterro inundável, um solo de aluvião, um corredor eólico, um braço de mar e uma falha sísmica. Já se pode antever que mais dias menos dias, os yupees que ali gastarem os muitos milhares de contos de cada apartamento irão por água abaixo, terra abaixo ou céu acima. Não que se perca muito com o assunto, provavelmente. Mas ainda assim vai ser uma trabalheira para os bombeiros e o trânsito ficará péssimo por esses dias.

ps: a sorte desta jornalista é não morar num país da américa latina. E o azar não morar num sítio instruido. No primeiro caso já lhe teria acontecido alguma desgraça. No segundo, os seus avisos já teriam sido ouvidos e alguma coisa feita para minorar os danos. Mas por aqui, neste país de pantomineiros o vento leva-lhe as palavras. Vai-se a ver, Portugal está instalado num corredor eólico...

26 de novembro de 2006

CESARINY...

não foi apenas o poeta surrealista, o pintor. Foi também o homem descarado que insistia em esfregar a sua ânsia de se mostrar vivo nas nossas provincianas caras.
Descansem as almas pudicas que já podem mandar inaugurar uma rua com o nome dele.


"Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê. "

M.C. V.

24 de novembro de 2006

ARTISTAS DESPROVIDOS

Como não há meio de verem qualquer medida que prove que existem, quanto mais que têm direitos, as principais associações e sindicatos dos profissionais do cinema, doteatro, da música, da dança, do circo e de outras artes do espectáculo, unem-se para reivindicara criação de um regime laboral e de segurança social que se adeque àsespecificidades do sector e preencha o vazio legal existente.A Plataforma das Organizações Profissionais das Artes do Espectáculo e Audiovisual convoca, assim, todos os interessados a estarem presentes no próximo DIA 27 de NOVEMBRO, SEGUNDA-FEIRA, às 18h30 noTeatro da Comuna (Praça de Espanha, em Lisboa) para o lançamento de uma petição unitária que procure chamar a atenção para os problemas do sector.
A BOFETADA
Parece que uma das sociaites que nos andam a insultar há anos com o seu desprezo levou um estalo dado por um arrumador.
Acho que era urgente que se descobrisse onde está esse malvado. E se a coisa se confirmar irmos lá, severamente, dar-lhe uma moedinha. Dez milhões delas, para ser mais exacto.
Dizer NÃO à violência, em resumo.

23 de novembro de 2006

O PAPEL DO ESTADO NA CULTURA

Isabel Pires de Lima, a ainda ministra da cultura em Portugal, vai estar hoje à noite na Casa Fernando Pessoa a perorar sobre o assunto em epígrafe.
Provavelmente, poderia resumir o seu discurso a "Comer e Calar". Não há grande diferença entre a actual equipa do ministério e a presidência de Américo Tomás no antigo regime. Salazar mandava e o homem vinha cortar fitas, dar a cara e apoiar a desgraça.
Pode ser que alguém pergunta à senhora se ela tem consciência que o reprovável na actuação do seu gabinete não é ter reduções no orçamento mas sim não dar aos agentes da cultura qualquer ideia que possa reequilibrar o processo. Limita-se a acenar que sim a Sócrates (que remédio), a gerir dossiers que vinham do tempo da inenarrável Teresa-Cansada-da-Guerra-Caeiro e a meter os pés pelas mãos. O desalento causado entre aqueles que lutam todos os dias para se manter vivos e afastar o país das trevas é cada vez maior.
Creio sinceramente que deste lado do Atlântico também sofremos de desilusão lulista. E, para fazer rima, sem fim à vista.

22 de novembro de 2006

GATOS

Os gatos fedorentos romperam um terreno que resistiu a todos os governos. Com o apoio da direcção de programas da RTP (por uma vez, a mostrar coragem e ousadia). Ao fazerem (e deixarem passar) o maravilhosamente achincalhante sketch do Santana Lopes, fizeram história. Pela primeira vez na televisão nacional brincou-se descaradamente com um político. Que é o mesmo que dizer que nos rimos de nós mesmos.
Bravo.
ps: trabalhar o guião nas partes que intercalam os sketches, em vez do improviso desajeitado, ainda reforçaria mais o programa.
CULTURA 1

Acabou-se a festa da música. As enchentes para ouvir os autores clássicos e os melhores intérpretes. Gente a correr pelos corredores para escutar um quinteto de cordas... Vem aí um sucedâneo. Mais barato. Se será igualmente eficaz estaremos cá para ver.
O que dispensaríamos estar a ver era a actual ministra da cultura. Só aparece para defender os cortes orçamentais que o primeiro-ministro determina.
Afinal, ela revelou-se uma boa escolha. É... como hei-de dizer... "entalada" todos os dias e dá a cara para dizer que até gosta. Esquece-se que se espera também de um ministro uma palavra de alento para os que já não tinham quase nada e vão ficar ainda com menos. Ou que não pareça tão satisfeita por ser comida por parva.
CULTURA 2

Hoje disseram-me uma coisa extraordinária. "Quem tem interesse em divulgar os livros são os escritores". Aparentemente não interessam a mais ninguem neste mundo. Aos media, de certeza, que muito pouco. Fazem o jeito, são simpáticos, mas está enraizada a ideia que a literatura não muda o mundo. Este desprezo pela palavra escrita é o resultado de uma sucessão de governos ignaros e economicistas saídos do pós-trevas salazarentas. Só gostaria de sussurrar aos ouvidos dos jornalistas e dos donos de rádios, televisões e jornais: "Bíblia", "Mein Kampft", "O Capital"...
A literatura é tudo. Porque "é nela que se reflecte o céu"

17 de novembro de 2006

O MESMO PAÍS 2

Não me lembro de ter visto na televisão pública o poeta Gastão Cruz que lançou um livro há pouco ou o José Agostinho Baptista, outro grande poeta que também teve um livro recente. E os dois escrevem com raridade.
Contudo, ontem, vi em prime time, um imbecil que já nos desgovernou a todos, a propósito do lançamento de um rosário de queixas qualquer...

Também não dei pelo facto de Bastardia da Hélia Correia ter recebido um prémio literário...
Mas vi noutro prime time um pateta de orelhas grandes a contar como é que se pode ganhar um ordenado chorudo num cargo público enquanto escreve calhamaços jornalights...
Interessante, as escolhas neste país... Que é o nosso.
O MESMO PAÍS

"
Mais de 30 em cada cem alentejanos vivem na pobreza, isto é, 180 mil pessoas, numa população de 535 mil habitantes", especificou António Murteira, tendo como referência os residentes na região com rendimento mensal até 300 euros, o que perfaz dez euros diários."
in Público

"O Governo Regional da Madeira vai gastar 6,6 milhões de euros nas festas de Natal e fim de ano"

ibidem

14 de novembro de 2006

LANÇAMENTO, LISBOA

Para os mais corajosos, sábado, na Fnac do Colombo, às 17 h.
Não há beberete, mas também não terão fotógrafos da Caras a tapar a vista. Parece-me razoável, não? ;)
SARAMAGO NO JL

Boa, a entrevista do José Carlos Vasc. ao Saramago, na última edição do JL. Velhos amigos permitem-se a uma franqueza que reverte em benefício do leitor.
Entre muitas frases que nos permitem conhecer a matéria com que moldou as suas narrativas, temos também acesso à origem da melancolia. E, para os mais distraídos, o elucidar daquilo que muitos tomam (também me aconteceu, em tempos, perceber assim) por arrogância e vaidade. É antes o contrário.
E Lanzarote, um lanzarote qualquer, é para muitos nós mais do que um acaso ou possibilidade. Quase um presságio que acabará por tocar outros. Mesmo sem nobeis.

9 de novembro de 2006


AUTO DA FÉ

Como português interessado em livros não quero ficar de fora da nova moda literária. Nem pensar! Lançada recentemente, a moda do escrutinar livros de sucesso à procura de falhas ou repetições está em alta. Gente que não seria capaz de descrever literariamente um burro, se tivesse um espelho, passa agora os dias de lupa em punho à procura do erro. Esta moda, da crítica light, nascida do anonimato dos blogues é na verdade a manifestação simples de uma característica nacional: a pseudo-delação pelos medíocres. Quem estudou a história da perseguição aos judeus em Portugal sabe o que aconteceu a milhares de pessoas, cercadas de gente desta. Acusando disto ou daquilo, apossavam-se depois estes abutres dos despojos do supliciado. Aqui, nem isso. Quanto muito o prazer da lama.
Agora é com repetições e plágios.
Se ser português é ser iníquo, também não quero ficar de fora. Por isso, aproveito já para denunciar um caso complicado em que VÁRIAS pessoas se plagiaram. Os nomes dos miseráveis são (os que consegui apurar): São Mateus, São Joã0 e São Marcos. A história é IGUALZINHA: um tipo que nasce num estábulo e que morre na cruz. Até o nome é o mesmo! Por favor, se alguém puder escrever artigos eruditos ou promover conferências sobre o tema, seria da maior utilidade.
MADEIRA, VIDEO E LIVROS

Vou estar a partir de amanhã e até domingo na Madeira, para ajudar a coordenar a Maratona de Vídeo Magnavoce. Espero que muitos aspirantes a cineastas se inscrevam e, de câmara digital na mão se divirtam a receber alguma formação na área do cinema e a criar os seus próprios filmes. Inscrições em www.magnavoce.pt.
E, aproveitando a generosidade deste convite, aproveito para apresentar (com a ajuda de outros amigos) o RIO DA GLÓRIA, no Magnólia. Assim, os madeirenses estão todos convidados para ir no sábado (16h) até este espaço dar dois dedos de conversa e tomar contacto com o livro.

6 de novembro de 2006

SIMONE, DE VERDE





Quem se lembra de ter visto alguma vez imagens desta Simone jovem e a cores?
OLHO POR OLHO



A Humanidade está longe de ter atingido alguma coisa próxima da harmonia. Mata-se por castigo. Mata-se por não se ver outro caminho.
Sadamm está igualmente longe da santidade. Com virgens, ou não, à espera dele.

2 de novembro de 2006

LANÇAMENTO

Ok, ok. Vou-me já calar com o assunto. Antes que isto faça lembrar o blogue dos saudosos Gatos Fedorentos que a partir de certa altura já só nos davam as datas dos espectáculos ao vivo. O que acontece é que um blogue é um sítio de partilha, logo os escritores falam inevitavelmente de livros. E frequentemente dos seus livros. Não por publicidade, como não faltará quem diga. Mas porque são obsessões e escrever ajuda a dar-lhes forma.
Assim(em ficheiro ranhoso de imagem) fica a capa.

A partir de dia 7 nas livrarias do país.
E como tem sido no Prazer_Inculto que eu tenho falado mais sobre este projecto, decidi que será aqui o lançamento oficial.
Assim, no dia 8 ou 9, vou colocar aqui videos de vários actores a lerem excertos da obra e o que mais me lembrar. Fazemos assim uma festa. Sem champanhe nem caviar, hélas! que a internet ainda não chegou a tanto. :)

1 de novembro de 2006

JUST DO IT

Vou dizer uma coisa óbvia (mais uma, diriam os meus de-tractores-puf-puf,lol) mas tudo surge do trabalho. Sou lapalissiano, porque me parece sempre isto uma coisa espantosa. O meu lado mais preguiçoso gosta de sonhar com a possibilidade de conseguir algo de extraordinário sem esforço. Contudo, se fiz até hoje alguma coisa que merecesse alguma atenção, saiu-me de certeza do corpo, do pêlo, do trabalhinho aturado. E este princípio aplica-se a toda a gente que conheço. Não sei de grande escultura que não seja fruto de dias e dias de trabalho. Ou de pintura notável que não tenha custado ao seu criador anos de estudo e prática. Ou de colheita fértil de trigo que não tenha derivado de uma sementeira exaustiva, do arrancar das ervas e do esforço das máquinas e dos homens que as conduziam.,,,
Contudo, continuo a imaginar essa possibilidade, a jogar (ocasionalmente) no euromilhões e a acreditar que um dia vou poder estar perto da Grande Barreira de Coral sem ter gramado mais de 20 horas de voo. Ah, e já agora, sem ter suado para arranjar dinheiro para o bilhete...
Bom, vou trabalhar...